Os 115 cardeais eleitores já estão enclausurados na Capela Sistina,
que teve as portas fechadas na tarde desta terça-feira (12), para o
início do conclave que irá escolher o novo papa, o 266º da história da
Igreja Católica.

Os cardeais entraram na Capela Sistina às 16h30
locais (12h30 de Brasília), depois de se reunirem brevemente na Capela
Paulina para uma oração inicial, após a qual o cardeal que preside o
rito, o cardeal Giovanni Battista Re, lhes lembrou em latim, língua na
qual o ritual se desenvolve, que estão lá para escolher o sumo
pontífice.
Na Capela Paulina começou uma procissão que atravessou a Sala Régia para chegar até a contígua Sistina.
Uma cruz abriu a procissão, seguida pela Capela Musical Pontifícia,
alguns prelados, os cerimonialistas, o secretário do Colégio
Cardinalício, Lorenzo Baldisseri; o vice-camerlengo, Pier Luigi Celata, e
o cardeal maltês Prosper Grech, encarregado de pronunciar a última
meditação antes do voto, e o Mestre das Celebrações Pontifícias, Guido
Marini.
Em ordem inversa de precedência entre os cardeais, caminharam
primeiro os da ordem dos diáconos, seguidos por presbíteros e bispos.
A procissão foi fechada por Giovanni Battista Re, que é o cardeal da
ordem dos bispos mais antigo, pelo fato de tanto o decano do Colégio
Cardinalício como o vice-decano - Angelo Sodano e Roger Etchegaray,
respectivamente - não poderem entrar no conclave por terem mais de 80
anos. A legislação vaticana impede os cardeais octogenários de votar,
mas permite que sejam escolhidos.
Todos entraram recitando as litanias na Capela Sistina, que continua
sendo o tradicional local onde, sob o afresco do "Juízo Final" de
Michelângelo, será eleito o sucessor de Bento XVI como papa
Juramento
Já na Capela Sistina e após recitarem as litanias e cantarem o "Veni,
Creator Spiritus", hino de invocação do Espírito Santo, os 115 cardeais
pronunciaram o seguinte juramento, como estabelece a Constituição
Apostólica "Universi dominici gregis":
"Todos e cada um de nós cardeais eleitores presentes nesta eleição do
sumo pontífice prometemos, nos obrigamos e juramos observar fiel e
escrupulosamente todas as prescrições contidas na Constituição
Apostólica do sumo pontífice João Paulo II, Universi Dominici Gregis,
emanada em 22 de fevereiro de 1996.
Igualmente, prometemos, nos obrigamos e juramos que quem quer de nós
que, por disposição divina, seja eleito Pontífice Romano, se
comprometerá a desempenhar fielmente o "munus petrinum" de Pastor da
Igreja universal e não deixará de afirmar e defender denodadamente os
direitos espirituais e temporários, assim como a liberdade da Santa Sé.
Sobretudo, prometemos e juramos observar com a máxima fidelidade e
com todos, tanto clérigos como laicos, o sigilo, sobretudo o relacionado
de algum modo com a eleição do Pontífice Romano e sobre o que ocorre no
lugar da eleição concernente direta ou indiretamente à escolha.
Não violar de modo algum este segredo tanto durante como depois da
eleição do novo pontífice, a menos que seja dada autorização explícita
pelo próprio pontífice; não apoiar ou favorecer nenhuma interferência,
oposição ou qualquer outra forma de intervenção com a qual autoridades
seculares de qualquer ordem ou grau, ou qualquer grupo de pessoas ou
indivíduos queiram se imiscuir na escolha do Pontífice Romano".
Em seguida, cada cardeal eleitor, segundo a ordem de precedência,
prestou juramento com a seguinte fórmula: "E eu, (nome de batismo)
cardeal (sobrenome) prometo, me obrigo e juro".
E pondo a mão sobre os Evangelhos, acrescentou: "Assim Deus me ajude e estes Santos Evangelhos os quais toco com minha mão".